Vinicius Júnior, racismo e a violência como resposta!

A mais recente onda de ataques racistas a Vinícius Jr evidenciou que o uso da violência é a única resposta eficaz contra o racismo.



Parecia que estávamos apenas assistindo a mais um jogo do Campeonato Espanhol, pois nada era muito especial naquele confronto entre Valência e Real Madrid. Nenhuma coisa fora da normalidade de uma partida qualquer de futebol estava ocorrendo até o momento em que ofensas racistas começaram a ser ouvidas no Estádio de Mestalla – Vinícius Jr era o alvo. O atacante do Real Madrid, enquanto grande parte da torcida valacentista o chamava de macaco, revoltou-se de forma justa e necessária diga-se de passagem, com a situação. Vinícius agrediu e sofreu agressões dos jogadores adversários, ainda assim, acabou sendo o único expulso de campo. Assim, em resumo, configurou-se a mais recente onda de ataques racistas sofridas pelo atleta brasileiro.

A fatídica partida entre Valência e Real Madrid ocorreu no último dia 21 de maio. Passaram, portanto, cerca de três semanas do ocorrido e nesse período de tempo vimos uma comoção gigantesca de diferentes parcelas da sociedade com tudo que Vinícius Jr sofreu. Campanhas contra o racismo e em solidariedade ao jogador foram feitas no Brasil e na Espanha – clubes e suas torcidas, federações de futebol, veículos de imprensa e políticos, incluindo até mesmo Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente de nosso país, participaram do movimento. Mas fato é que o distanciamento temporal do ocorrido nos permite afirmar que nada disso teve a capacidade de mudar radicalmente o panorama do racismo na Espanha, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.

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É importante dizer que as ofensas racistas sofridas por Vinícius Jr em Valência não foram um ponto fora curva – muitíssimo pelo contrário. O atleta sofreu, dentro e fora dos estádios, pelo menos uma dezena de ataques racistas desde o ano de 2021. E, ainda que pareça um absurdo, foram necessários inúmeros ataques e um evento de proporções tão repugnantes como o que vimos no Estádio de Mestalla para que o sentimento de que essa onda racista precisaria urgentemente acabar contagiasse a esmagadora maioria das pessoas – e ainda assim nada mudou. A sensação é a de que o racismo talvez tenha saído ileso do que podemos chamar de “período de turbulência” em seu funcionamento convencional.

Podemos, então, chegar a conclusão de que tudo o que vem sendo feito para combater o racismo no futebol e na sociedade não está sendo eficaz. E isso ocorre porque – ao contrário do que muitas pessoas ainda pensam –, o racismo não se manifesta apenas na esfera pessoal: xingamentos, gritos, cânticos, etc. O racismo é algo estruturante da nossa sociedade – ele é uma força invisível que molda a forma como todos nós nos relacionamos, guia acções, ideias e a vida em geral. É evidente, então, que as ações que estão sendo tomadas até podem trazer algum avanço na luta antirracista, mas não irão trazer mudanças radicais. Usar a violência para combater o racismo, seja ela institucional, econômica e até mesmo física, é a ação necessária a ser feita – pois o racismo é algo essencialmente violento.

Por último, é importante dizer que este curto texto não tem a intenção de aprofundar-se na temática do racismo, suas esferas, dinâmicas, causas, consequências e etc. O escrito tem a intenção apenas de endossar as importantes campanhas antirracistas do meio do futebol que ganharam um apelo considerável com o ocorrido com Vinícius Jr, mas sem deixar de alertar que elas são insuficientes para gerarem alguma mudança radical na estrutura racista presente no esporte e na sociedade espanhola, brasileira ou em qualquer outra, além de também mostrar a ferramenta que tem a capacidade de nos levar a combater o racismo de uma forma realmente eficaz.

Voltaremos a discutir o tema, camaradas.

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