Endrick – Nascido para brilhar!

Os feitos de Endrick assumiram uma proporção tão grande que nos obrigam a ignorar a barreira do tempo e assumir como certeza a possibilidade do jogador alcançar o patamar de uma estrela do futebol mundial.



Todos amantes do futebol em algum momento de suas vidas conhecerem a história de algum jogador que todos tinham a convicção de que seria uma estrela do futebol mundial, mas que ao longo de sua carreira não conseguiu atingir tal status – e isso ocorre por inúmeros fatores, até porque o futebol é um meio extremamente dinâmico em que estabelecer verdades absolutas tem pouca utilidade prática e nossas supostas certezas duram pouco tempo. Mas ainda que estejamos cientes dessas histórias, quando vemos um talento fora de série somos imediatamente impulsionados a crer que estamos diante de um atleta geracional ou algo do tipo – e nesses momentos precisamos lembrar que por mais que tudo indique que algo possa acontecer, somente com o passar do tempo que poderemos ter a certeza de que realmente aconteceu.

Entretanto, o futebol parece desafiar a lógica em alguns momentos e, por vezes, faz com que algumas coisas extrapolem o campo da possibilidade – não é que possa ou não acontecer, é apenas uma questão de tempo até que aconteça. E o que e melhor personifica esse sentimento na atualidade é o caso de Endrick. É difícil achar alguém nos dias atuais que não concorde que nos próximos anos o jovem de dezessete anos de idade estará desfilando nos gramados europeus e encantando o mundo com o seu raríssimo talento. E não é uma ingenuidade ou teimosia a nossa inapelável crença em que Endrick está predestinado à glória, pois tudo nos leva a crer nisso – a representatividade dos seus gols, as suas comemorações icônicas, a gestão de sua carreira, a sua elevadíssima qualidade técnica e até mesmo a sua trajetória de vida.

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E parece ser indispensável realizar uma recapitulação, ainda que breve, dessa trajetória. Endrick nasceu em meados de 2006, quatro anos depois começou a ter os primeiros contatos com o futebol e, após uma infância permeada de sacrifícios próprios e familiares, conseguiu ingressar, aos dez anos de idade, no juvenil do Palmeiras. O jogador rapidamente tornou-se um fenômeno nas categorias de base do clube, o seu talento era tão grande que o possibilitou sempre atuar em categorias acima de sua idade, marcando gols, conquistando títulos e atingindo recordes – o que resultou, entre outras coisas, em sua astronômica venda para o Real Madrid, ainda aos dezesseis anos de idade. Não apanas todo o seu repertório técnico, como também o carisma, a originalidade e a identificação com os torcedores alviverdes e canarinhos foram aspectos responsáveis por forjar o imaginário coletivo dos brasileiros sobre Endrick – todos passaram a tratar o jovem como um atleta especial, a querer conhecer a sua história e assitir às suas performances.

Fatores como a elevada maturidade corporal, inteligência emocional e qualidade técnica fizeram com que o jogador personificasse perfeitamente o termo “acima da média” – Endrick, apesar de nem sequer ter completado a maioridade, sempre atuou com protagonismo, conquistou títulos de caráter estadual e nacional, marcou tentos decisivos, acumulou atuações emblemáticas, conquistou o seu espaço na Seleção Brasileira, atingiu o patamar de maior promessa do futebol brasileiro dos últimos anos, tornou-se a maior revelação da história do Palmeiras e um jogador admirado por torcedores de todo o país. E toda essa história de Endrick no futebol, dos seus incríveis números nas categorias de base até os seus impressionantes feitos em sua curta trajetória como jogador profissional, fazem com que o sucesso pareça ser o seu destino natural.

Mas talvez ainda seja importante não abandonar completamente uma linha de análise de tom, por assim dizer, racionalista. É fato que o atleta, por tudo o que faz dentro de campo e por conta de tudo o que passou até chegar ao patamar atual, não apenas deve, como também merece atingir o estrelato no esporte. Entretanto, temos que lembrar que meritocracia não existe. Nada depende apenas de um indivíduo. Não na vida, onde os contextos, a sociedade e a família importam demais. Nem no futebol, onde a sorte, o certame, o técnico e a equipe interferem muito. Endrick, de fato, ultrapassou muitas barreiras para torna-se um prodígio – estamos falando de um jovem preto que a nossa sociedade racista não vitimou, que o tráfico não recrutou, que teve um pai presente na criação e que tornou-se um jogador profissional. Porém, ainda que a glória esteja esperando-o, assumir o seu lugar na história do futebol ainda dependerá de fatores inerentes a um esporte coletivo e a uma sociedade.

Porém , caso a vida de Endrick siga o curso natural, também não será uma certeza tediosa saber que o jogador um dia chegará ao lugar onde todos nós sabemos que é seu por direito. Muito pelo contrário – será um privilégio poder acompanhar um jovem preto construir o seu reinado no futebol. Presenciamos Endrick colocar-se à frente do seu tempo ao transpassar com facilidade todas as etapas convencionais de formação de atletas nas categorias de base, vimos um menino de dezessete anos de idade ser decisivo e até referência técnica em uma equipe absolutamente consolidada e histórica como o Palmeiras de Abel Ferreira e também desfrutamos de seus gols com a camisa da Seleção Brasileira nos lendários estádios de Wembley e Santiago Bernabéu. E ainda tem muito mais por vir, das gloriosas noites européias às inesquecíveis atuações em Copas do Mundo.

Neymar, nós também somos o que perdemos!

Lembrar do jogador de futebol Neymar é, sobretudo, lembrar de algo que aparenta não existir mais, é como ter saudades de um finado. Mas também pode ser – e precisa ser – uma oportunidade de lembrarmos que nós também somos o que perdemos, que podemos voltar a ser o que um dia fomos.



Copa do Mundo Catar 2022. Quartas de final. Era o último minuto do primeiro tempo da prorrogação, Brasil e Croácia ainda não haviam mexido no marcador. E então Neymar faz linda tabela com Rodrygo e Lucas Paquetá na entrada da área, o camisa 10 recebe de frente para o goleiro, o dribla facilmente e chuta a bola para dentro do gol. Neymar acabara de marcar um tento antológico e que parecia ser o mais importante de sua carreira, um tento que poderia mudar não apenas a história do próprio jogador, como também da Seleção Brasileira e até mesmo do futebol mundial. Talvez não ajude tanto a dimensionar o significado de tal gol, mas é válido dizer que ele é até os dias atuais o mais comemorado na vida deste que vos escreve – um momento eternizado sobre as areias da praia de Copacabana, na FIFA Fan Fest.

Porém cerca de meia hora depois desse evento canônico, o sentimento que impera entre todos os brasileiros que estavam no Estádio da Cidade da Educação, na praia mais famosa do mundo ou em qualquer outro lugar é o de tristeza – a Croácia eliminou o Brasil nos pênaltis e avançou às semifinais do mundial de seleções. O evento citado é apenas mais um entre tantos outros que parecem ter impedido Neymar de alcançar a grandiosidade que o seu talento poderia o proporcionar, mas talvez seja o mais simbólico, pois representa perfeitamente o espírito do atleta, que sempre que esteve em campo tentou levar a sua equipe à vitória. O grande contraste com os dias atuais é que esse Neymar parace estar morto, não vemos mais o jogador que encantava multidões nos estádios mundo a fora, em seus olhos não há mais a sede por grandes conquistas ou por estar na elite do futebol.

Talvez nem todos tenham a coragem, pelo menos atualmente, para admitir isto, mas a verdade é que todo amante do futebol apaixonou-se por Neymar em algum momento de suas vidas. Seja pelo garoto franzino e de cabaça raspada que nasceu para o mundo do futebol profissional na cidade de Santos, um menino flutuante, alegre, impetuoso e imparável nos gramados brasileiros, e que amadureceu em campo jogo após jogo, conquistou a Copa Libertadores, o Prêmio Puskás e a notável alcunha de hors concours. Ou o ainda jovem que chegou em Barcelona um jogador completo, brindou a Europa com subsequentes deslumbrantes performances, venceu a Liga dos Campeões e alcançou de forma incontestável à realeza do futebol de nossa época.

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Era possível apaixonar-se até mesmo pelo Neymar que partiu rumo à Páris com missão de liderar o PSG à conquista do velho continente, e, apesar de ter falhado, nunca desistiu de manter-se encantador em campo. É impossível negar que o atleta chegou a brilhar com a camisa desses três clubes – e também com a camisa da Seleção Brasileira –, mas ao mesmo tempo é difícil negar que ele poderia ter atingido um nível ainda maior. E a transferência do jogador para o Al-Hilal, da Arábia Saudita, em agosto do ano passado, escancara a sua acentuada espiral de queda. Tal espiral é creditada principalmente pela forma como Neymar conduziu a sua vida privada e sua carreira. As festanças e irregularidades financeira, a acusação de estupro e assédio sexual, e a falta de profissionalismo em alguns momentos, são fatores que de fato interferiram, mas nada chegou perto de ser tão determinante quanto as lesões.

O jornalista e escritor Sergio Vázquez Jodar certa vez escreveu – “Existem muitos mundos paralelos em nossas vidas: aviões que não pegamos, e-mails que apagamos ou noites que ficamos em casa. Em todos os mundos paralelos em que Neymar não se machuca, ele ganha a bola de ouro!”. Ao lembrarmos das muitas memoráveis performances nos grandes jogos e estádios, dos incríveis dribles desconcertantes e desmoralizantes, e dos históricos e fantásticos gols do jogador é difícil não concordar com a afirmação de Jodar. Neymar pode ter cometido muitos erros ao longo da carreira, mas são as lesões que nos privaram de ver o que poderia ser um dos maiores jogadores da história do futebol,  foram os longos períodos afastado dos gramados que impediram um príncipe de torna-se rei.

As diversas lesões que chegaram a tirar o atleta da disputa de uma Copa do Mundo, das fases eliminatórias de algumas edições de Champions League e de muitos e muitos jogos ao longo de sua carreira não costumam receber a mesma relevância nos debates esportivos sobre o jogador como os seus problemas com a justiça, suas postagens em redes sociais ou suas idas à baladas e carnavais. E talvez esteja certo quem diz que o jogador não precisa mais do futebol, que ele não tem mais o interesse em manter-se atuando em alto nível. Mas também é certo dizer que o futebol até pode não precisar de Neymar para ser o esporte mais espetacular do planeta, mas certamente o merece. É uma necessidade espiritual ver por pelo menos mais alguns instantes o jogador flutuar em campo, deixar adversários no chão e marcar gols que desafiam a razão.

Por fim, ainda que atualmente não existam muitos indícios que nos possibilitem acreditar fielmente nesta ideia, é preciso dizer que o atleta de trinta e dois anos de idade ainda pode voltar a encantar o mundo, que ainda pode ser lembrado unicamente por seu genuíno talento, por sua invejável capacidade de decisão e diversas conquistas. Nós também somos o que perdemos, os vôos em que não embarcamos, as festas não idas, os encontros cancelados, os amores não correspondidos, os chutes que batem na trave e não entram. E Neymar não é diferente de nós. Ele ainda é a alegria e ousadia dos tempos de Santos, a nobreza ímpar da época de Barcelona, o brilhantismo com a camisa do escrete nacional, o deslumbre de liderança das jornadas em Paris e todos os dribles e gols que nos emocionaram durante anos.

Fernando Diniz e o seu compromisso com o prazer!

É impossível ser indiferente a Fernando Diniz – o atual comandante do Fluminense vem despertando amor ou ódio em quem acompanha o futebol brasileiro desde a última década. As idiossincrasias do técnico podem ajudar a explicar essas antagônicas emoções que ele desperta nas pessoas.



Fernando Diniz é um técnico que divide de forma quase que antagônica a opinião do público geral – existem os que o amam e os que o odeiam. Não é exatamente que amem ou odeiem o ser humano Fernando Diniz; o que de fato divide as opiniões a cerca do comandante é o que ele representa enquanto treinador de futebol. Odiando ou amando, fato é que ninguém é indiferente a Diniz – o que é algo no mínimo intrigante. Isso porque, em primeira análise, não é fácil entender por que um técnico que está há relativamente pouco tempo no futebol de elite nacional e que nunca conquistou nem sequer um título relevante em sua carreira desperta sentimentos tão fortes em quem acompanha o Jogo no Brasil.

Algumas questões podem ajudar a explicar o certo fascínio, para o bem e para o mal, que existe sobre a figura de Fernando Diniz. Mas, antes de mais nada, precisamos entender o que o treinador representa. Diniz – em termos bem gerais e subjetivos – simboliza o resgate do “futebol-arte”, do “futebol bem-jogado”, da “verdadeira essência do futebol brasileiro”, em uma época em que a sensação é a de que o futebol nacional caminha na direção contrária disso tudo. E é justamente essa ideia de que Diniz é um técnico diferente da esmagadora maioria dos outros de nosso país, o represente do Jogo que encanta, que faz com que ele goze de um apreço até sentimental de torcedores Brasil afora.

Para além do grande apreço que tem de muitos torcedores, o treinador também tem uma relação afetuosa com muitos dos atletas que treinou ao longo de sua carreira. O que pode ajudar a justificar tal relação é confiança que Diniz – psicólogo por formação – passa aos seus atletas nos jogos e treinos, além de sua notável capacidade de potencializar e aumentar as valências de diversos jogadores – da periferia à elite do futebol nacional. Acredito, entretanto, que – acima de tudo – tanto para os torcedores quanto para os jogadores o que mais cria apreço a Diniz é o compromisso – que talvez nem tenha sido firmado de forma totalmente deliberada – que ele tem com o prazer. Aos torcedores, Diniz proporciona o prazer de assitir futebol, aos atletas, o prazer de jogar.

Mas por que Diniz – mesmo sendo o técnico que atualmente mais representa ideias bastantes caras a muitos torcedores brasileiros – tem uma grande rejeição de uma parcela considerável deste grupo? A resposta para essa pergunta talvez não seja surpreendente – pelo menos não para quem observa as características gerais dos adeptos brasileiros. O torcedor de nosso país, via de regra, é um ser que até valoriza coisas como o estilo de jogo ofensivo, propositivo e encantador, mas não há nada que valorize mais do que títulos. O fato de muitas pessoas enxergarem no estilo de jogo de Diniz um “alto risco” de execução também é um fator que contribui para a sua rejeição, nada, porém, é mais determinante do que o fato dele nunca ter conquistado um troféu de grande relevância.

Algumas questões podem ser apontados para tentar explicar os motivos da ausência de títulos no currículo de Diniz. Porém a ideia de que o técnico não conquistou troféus relevantes porque ainda não fez nenhum trabalho bom em sua carreira não pode – em hipótese alguma – ser apontada como um fator. Primeiramente, porque o técnico de fato tem bons trabalhos em sua trajetória à beira dos gramados, e, em segundo plano, também porque, como sabemos – ou pelo menos deveríamos saber –, nem todo bom trabalho resulta em título e nem todo título é resultado de um bom trabalho. E antes de relembramos toda a trajetória do comandante é necessário dizer que todos os seus trabalhos podem devem ser analisados com uma profundidade maior do que a presente neste texto.

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Pois bem, Diniz iniciou sua carreira como técnico em 2009. E desse ano até meados da temporada de 2017, ele comandou clubes de pouca expressão nacional: Votoraty, Paulista, Botafogo de Ribeirão Preto, Atlético Sorocaba, Paraná e Audax. Nessa fase de sua carreira, Diniz conquistou um Campeonato Paulista – Série A3 e duas Copas Paulista – títulos importantes para o cenário futebolístico em que estava inserido, longes, entretanto, de serem relevantes no cenário da elite nacional. Ao longo desse período, o treinador acumulou prestígio com trabalhos em que desenvolveu as valências técnicas de diversos atletas – de diferentes idades, posições e características – e fez suas equipes performarem em alto nível, muitas vezes em um nível acima do que a qualidade dos elencos sugeriam.

O início da caminhada de Diniz em clubes de maior expressão nacional começa no Athletico-PR, em 2018. A expectativa era grande para o primeiro trabalho do técnico na elite do futebol brasileiro, mas o trabalho durou apenas seis meses. No início da temporada seguinte, Diniz assume o cargo técnico do Fluminense – a passagem do treinador no clube carioca dura até meados de agosto. Pode ser considerada a série de resultados ruins no Campeonato Brasileiro o principal motivo do encerramento desses dois trabalhos. Ainda no final de 2019, o comandante assinou com o São Paulo – o trabalho durou cerca de dezessete meses e passou longe de ter sido ruim, mas a queda acentuada de rendimento na reta final do campeonato nacional de 2021 marcou mais a passagem do que qualquer outra coisa. Santos e Vasco foram os clubes que Diniz assumiu na temporada de 2021 – as duas passagens somadas duraram cerca de seis meses e tiveram o curto tempo de duração como grande marca.

Esses trabalhos – a despeito de suas inúmeras particularidades – tiveram roteiros no mínimo similares: um início animador, em que bons resultados e o estilo de jogo vistoso empolgavam, mas que com o passar do tempo os problemas táticos apareciam – principalmente no setor defensivo – e causavam maus resultados e períodos de oscilação, aos quais Diniz não resistia por muito tempo e acabava sendo demitido. O melhor trabalho do treinador, e o que mais foge dos principais esteriótipos postos sob ele, é o atual. Diniz iniciou sua segunda passagem pelo Fluminense no final de abril de 2022- rapidamente o técnico implementou o seu estilo de jogo e com uma equipe segura defensivamente e de entrosamento coletivo destacável chegou às semifinais da Copa do Brasil e terminou o Campeonato Brasileiro na terceira colocação.

O grande desafio de Fernando Diniz nesse ano de 2023 é justamente o grande desafio de sua carreira até o momento – conquistar um título de relevância. O início desta temporada mostra – apesar da amostragem pequena de partidas e do baixo nível técnico da grande maioria dos adversários – que o técnico está no caminho para aprimorar, utilizando-se dos reforços trazidos pelo clube e do maior tempo de implementação de suas ideias no elenco, o trabalho iniciado no ano passado, o que aumenta as chances de sua equipe conquistar um título nesta temporada. E o desafio de todos nós é o de tentar fazer com que o fato de Diniz ser um técnico diferente dos demais não faça com que as nossas análises sobre o seu trabalho sejam totalmente desviadas, para o lado positivo ou negativo, dos, por assim dizer, melhores padrões de análises estabelecidos no futebol brasileiro.

Pelé é do tamanho da eternidade!

No último dia 29 de dezembro, Pelé – o Rei do Futebol – morreu aos 82 anos de idade. Os feitos do maior atleta de todos os tempos e a comoção global vista após o seu falecimento não deixam dúvidas de seu tamanho na história do Brasil e do do futebol mundial.



Creio que todo brasileiro e amante do futebol já havia imaginando em algum momento de suas vidas como seria o dia em que Pelé morreria. Aliás, não estamos falando de um simples homem, mas, sim, do maior atleta da história e mais – estamos falando de um homem que mudou o patamar do Brasil no mundo, uma espécie de “Pai Fundador” da Nação Brasileira e do que conhecemos como futebol. E o que todos imaginavam de fato aconteceu – após a notícia do falecimento de Pelé, todo o planeta parou para reverenciar Vossa Majestade.

Pelé – incontestavelmente – é o maior jogador da história do futebol. Não somente pelas três Copas do Mundo que conquistou ou pelos mais de mil e duzentos gols que fez, e também não pelos exuberantes e inesquecíves desfiles nos gramados brasileiros e de todo o mundo. Pelé é tão grandioso, principalmente, pelos sentimentos que causou, causa e continuará causando nas pessoas. A legitimidade da realeza de Pelé parece não estar no que ele fez, mas, sim, no que ele nos fez sentir – o esporte que amamos é forjado à sua imagem e semelhança.

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E é claro que é difícil olhar para o incalculável legado que Pelé nos deixou e conceber a ideia de que ele é ser humano como qualquer é um de nós – mas ele é. As polemicas e contradições que marcaram a vida do maior atleta da história nos trazem a certeza de que Edson Arantes do Nascimento era falível. Mas, dentro de campo, Pelé era tão perfeito que até quando errático era genial – alguns de seus lances que não tornaram-se gols estão mais eternizados na mente dos amantes do futebol do que qualquer tento marcado ao longo de toda história do Jogo.

Camaradas, não há como tergiversar – perder Pelé é perder coisa demais. A grandiosidade do maior jogador da história do futebol não cabe em 82 anos de existência mundana e em um caixão de madeira, e muito menos cabe neste pequeno texto. A grandiosidade de Pelé é do tamanho exato da eternidade – os seus incríveis feitos e, principalmente, as memórias, os sentimos, o intangível legado que ele nos deixou irão perpetuar-se até o fim dos tempos. Edson Arantes do Nascimento, de carne e osso, está morto. Pelé, de memórias e sentimos, é eterno.

Obrigado, Pelé! Vossa Majestade sempre será sinônimo de Futebol!