Hulk – A história de um herói, em preto e branco!

Hulk é um daqueles jogadores que sempre sonhamos que um dia vista a camisa de nosso clube do coração – um atacante goleador e de capacidade técnica privilegiada, um defensor implacável dos interesses de sua equipe dentro de campo, alguém que encarna perfeitamente o espírito do torcedor, um verdadeiro herói.



Quando surgiu a notícia de que Givanildo Vieira de Sousa, o Hulk, aceitou a proposta do Atlético-MG, nos últimos dias de janeiro de 2021, para vestir a camisa do clube, surgiram mais dúvidas do que certezas acerca da contratação. Por um lado, ninguém poderia negar que a agremiação de Belo Horizonte estava adquirindo um atleta de alta qualidade técnica e com um período no futebol europeu marcado pelo alto número de gols e conquistas, mas, por outro lado, era difícil tirar a razão de quem fazia contestações, levantando questões como o alto salário que o jogador iria receber, o fato de ter trinta e quatro anos de idade na ocasião e estar vindo de quatro temporadas consecutivas atuando no futebol chinês. Além disso, a memória coletiva que atrelava a imagem do jogador ao fracasso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014 também era algo que ajudava a criar uma rejeição prévia a sua aquisição.

Atualmente, e em contraste com o cenário de incertezas de três anos atrás, não restam dúvidas de que a contratação de Hulk é uma das mais assertivas da história do Atlético-MG. O jogador, em um período relativamente curto, tornou-se uma lenda da história do clube e criou uma identificação ímpar com a torcida atleticana. Hulk, durante as últimas quatro temporadas, tem sido o grande símbolo de uma equipe vitoriosa no cenário nacional e completamente dominante no âmbito estadual, o grande rosto de um elenco que é um dos principais da América do Sul e que é responsável por alçar os atleticanos ao patamar dos grandes favoritos na disputa por qualquer competição nacional ou internacional. Talvez seja exagero dizer que existe um Atlético-MG antes da chagada de Hulk e um após a sua chegada, mas, ao menos, parece claro que o jogador inaugurou uma nova era na história recente do clube.

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Porém Hulk não tornou-se sinônimo de Atlético-MG do dia para a noite, muito pelo contrário, a trajetória do atacante é rica e narra uma verdadeira história de herói, com tons pretos e brancos. Isso porque o jogador chegou ao clube em um contexto bem específico: Hulk desembarcou do lado alvinegro de Belo Horizonte e deparou-se com uma agremiação que vinha de uma temporada em que sofreu, assim como todo o futebol brasileiro, com os peculiares efeitos da pandemia de Covid-19 e em que não conseguiu corresponder totalmente aos investimentos milionários feitos pelo grupo de empresários conhecidos como os “4R’s”. Eram tempos em que o torcedor atleticano ansiava para que sua equipe voltasse a ter o protagonismo nacional e internacional visto no início da década anterior e não queriam ter como única fonte de alegria a então péssima fase em que o arquirrival estava.

Em meio a esse cenário, a contratação de Hulk era uma das importantes ações feitas pelos dirigentes atleticanos que serviram para injetar ânimo na veia da torcida para a temporada de 2021, assim como o aumento do aporte financeiro do famigerado grupo de empresários e a contratação do técnico Cuca. Em verdade, nada teve mais magnitude do que a chega do atleta. Hulk liderou uma equipe que encantou o país e entrou para história do clube ao conquistar a Copa do Brasil e, principalmente, por encerrar o jejum da agremiação mineira de meio século sem conquistar o Campeonato Brasileiro – o atacante terminou os dois certames como melhor jogador e artilheiro. Nas duas temporadas seguintes e até o momento da atual temporada, o Atlético-MG, apesar de não ter vencido nenhum título de grande relevância nacional ou internacional, continuou mantendo domínio em seu Estado, sendo competitivo no cenário brasileiro e da América do Sul e tendo Hulk como grande símbolo de uma era próspera.

O tal Givanildo, em suma, é um daqueles jogadores que sempre sonhamos que um dia vista a camisa de nosso clube do coração – um atacante com faro de gol e qualidade técnica invejável, capaz de conduzir uma equipe às grandes conquistas, sendo não apenas a referência técnica, como também um defensor implacável de seus interesses dentro de campo e alguém que encarna perfeitamente o espírito do torcedor. Os jogadores com esse perfil, ao longo de toda a história do futebol, sempre desempenharam um papel importante em ajudar a construir e manter a popularidade e a mística do esporte, e são ainda mais importantes na atualidade, onde o futebol em geral – e principalmente o brasileiro – carece de figuras com a qual o torcedor consiga criar vínculos fortes e duradouros. Bem aventurado, então, é a torcida atleticana, que tem alguém como Hulk defendendo as suas cores.

Gabigol – Um príncipe predestinado à glória!

A importância de Gabigol no atual período de grandes conquistas do Flamengo e sua identificação com a torcida rubro-negra não deixam dúvidas de qual lugar o jogador ocupa na galeria de ídolos do clube.



Quando Gabigol chegou ao Flamengo, em janeiro de 2019, os torcedores rubro-negros, a imprensa e todos aqueles que acompanhavam o futebol brasileiro na época sabiam que estava chegando ao Clube da Gávea – por conta tudo o que o atleta havia demostrado com a camisa do Santos nas temporadas anteriores – um dos melhores atacantes de nosso país naquele momento, porém, dificilmente alguém poderia imaginar que quatro anos mais tarde o jogador seria o grande símbolo de uma gloriosa era e um dos maiores ídolos da história da centenária agremiação carioca

Mas ocorreu justamente o que nem os mais otimistas torcedores do clube ou qualquer outra pessoa podia prever. Gabriel tornou-se a referência técnica de um elenco que reuniu diversos atletas de altíssima qualidade técnica nas últimas quatro temporadas, encarnou o espírito da torcida rubro-negra e transformou-se em uma espécie de representante espiritual da Nação dentro de campo, decidiu tantos títulos que recebeu da torcida a alcunha de O Predestinado, representa tanto um período emblemático da história do Flamengo que é chamado pelos adeptos rubro-negros de “Príncipe da Gávea”.

E é claro que Gabigol não virou ídolo da maior torcida do país de um dia para o outro. A contrução da idolatria da Nação pelo jogador é fruto de sua importância em alguns dos momentos mais mágicos da história do clube – a final da Copa Libertadores de 2019, quando fez dois gols nos minutos finais do jogo para virar de forma heróica a partida frente ao River Plate e na decisão da competição sul-americana deste ano, quando anotou o único tento da peleja contra o Athletico-PR e garantiu novamente o título para o Flamengo – e também de seu comportamento alinhado, por assim dizer, com os valores dos torcedores – algo demonstrado em sua total entrega física e emocional dentro de campo, em seus gestos que efervescem os rubro-negros e nas suas inúmeras provocações contra equipes rivais.

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Sabemos que as estatísticas de um atleta nem sempre são um medidor relevante de idolatria, entretanto, neste caso elas são. Os números de Gabriel dimensionam de forma fidedigna a sua relevância para os torcedores nesta era de ouro do Flamengo. Até este momento, o jogador tem duzentos e nove jogos com a camisa rubro-negra, cento e trinta e três gols – doze deles marcados nas treze finais que disputou -, além de onze títulos conquistados – todos os possíveis de serem obtidos no Brasil e no continente: Campeonato Carioca, Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores .

É fato que sintetizar às conquistas de um clube em um único jogador é algo de certa forma problemático para quem propõem-se a analisar o Jogo de forma, por assim dizer, concreta, tendo em vista que o futebol é um esporte, por natureza, coletivo. Mas a importância de Gabigol na segunda era mais importante da história do Flamengo e – sobretudo – a identificação do atleta com a torcida rubro-negra são tão grandes que fazem com que ele seja a figura que mais canaliza as recentes glórias do clube. Reitero: Gabriel é para a Nação, ao mesmo tempo, um príncipe e o seu mais fiel representante dentro de campo.

Não é possível tergiversar frente aos fatos – analisar tudo o que Gabigol fez com a camisa rubro-negra desde que chegou ao clube faz com que pensemos que não apanas não é um absurdo dizer que o atleta é o segundo maior ídolo da história do Flamengo – atrás apenas, é óbvio, de Zico – como, na verdade, é algo até coerente. Arthur Antunes Coimbrama é uma divindade para a torcida da agremiação carioca e ninguém – torcedor da instituição ou não – ousa contestar a ideia de que ele é, e provavelmente continuará sendo por toda a eternidade, o símbolo máximo do clube.

Isto porque Zico é- entre outras coisas – a grande figura do primeiro período vitorioso da história do Flamengo. O lendário camisa 10 liderou uma equipe que entre o final da década de 1970 e incio da década seguinte fez o clube deixar de ser apenas popular e passar a ser também vencedor – a Era Zico resultou na conquista de diversos Campeonatos Cariocas e Brasileiros, além de uma Copa Libertadores e um Mundial de Clubes. E Gabriel é o grande símbolo de um período em que o patamar de grandeza em que a geração de Zico pôs o clube aumentou consideravelmente – de fato, existe uma Era Gabigol. Uma Era que ainda não chegou ao fim – tudo indica que o jogador seguirá por mais anos no Flamengo e continuará escrevendo sua gloriosa trajetória na história da agremiação.