A importância de Gabigol no atual período de grandes conquistas do Flamengo e sua identificação com a torcida rubro-negra não deixam dúvidas de qual lugar o jogador ocupa na galeria de ídolos do clube.
Quando Gabigol chegou ao Flamengo, em janeiro de 2019, os torcedores rubro-negros, a imprensa e todos aqueles que acompanhavam o futebol brasileiro na época sabiam que estava chegando ao Clube da Gávea – por conta tudo o que o atleta havia demostrado com a camisa do Santos nas temporadas anteriores – um dos melhores atacantes de nosso país naquele momento, porém, dificilmente alguém poderia imaginar que quatro anos mais tarde o jogador seria o grande símbolo de uma gloriosa era e um dos maiores ídolos da história da centenária agremiação carioca
Mas ocorreu justamente o que nem os mais otimistas torcedores do clube ou qualquer outra pessoa podia prever. Gabriel tornou-se a referência técnica de um elenco que reuniu diversos atletas de altíssima qualidade técnica nas últimas quatro temporadas, encarnou o espírito da torcida rubro-negra e transformou-se em uma espécie de representante espiritual da Nação dentro de campo, decidiu tantos títulos que recebeu da torcida a alcunha de O Predestinado, representa tanto um período emblemático da história do Flamengo que é chamado pelos adeptos rubro-negros de “Príncipe da Gávea”.
E é claro que Gabigol não virou ídolo da maior torcida do país de um dia para o outro. A contrução da idolatria da Nação pelo jogador é fruto de sua importância em alguns dos momentos mais mágicos da história do clube – a final da Copa Libertadores de 2019, quando fez dois gols nos minutos finais do jogo para virar de forma heróica a partida frente ao River Plate e na decisão da competição sul-americana deste ano, quando anotou o único tento da peleja contra o Athletico-PR e garantiu novamente o título para o Flamengo – e também de seu comportamento alinhado, por assim dizer, com os valores dos torcedores – algo demonstrado em sua total entrega física e emocional dentro de campo, em seus gestos que efervescem os rubro-negros e nas suas inúmeras provocações contra equipes rivais.
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Sabemos que as estatísticas de um atleta nem sempre são um medidor relevante de idolatria, entretanto, neste caso elas são. Os números de Gabriel dimensionam de forma fidedigna a sua relevância para os torcedores nesta era de ouro do Flamengo. Até este momento, o jogador tem duzentos e nove jogos com a camisa rubro-negra, cento e trinta e três gols – doze deles marcados nas treze finais que disputou -, além de onze títulos conquistados – todos os possíveis de serem obtidos no Brasil e no continente: Campeonato Carioca, Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores .
É fato que sintetizar às conquistas de um clube em um único jogador é algo de certa forma problemático para quem propõem-se a analisar o Jogo de forma, por assim dizer, concreta, tendo em vista que o futebol é um esporte, por natureza, coletivo. Mas a importância de Gabigol na segunda era mais importante da história do Flamengo e – sobretudo – a identificação do atleta com a torcida rubro-negra são tão grandes que fazem com que ele seja a figura que mais canaliza as recentes glórias do clube. Reitero: Gabriel é para a Nação, ao mesmo tempo, um príncipe e o seu mais fiel representante dentro de campo.
Não é possível tergiversar frente aos fatos – analisar tudo o que Gabigol fez com a camisa rubro-negra desde que chegou ao clube faz com que pensemos que não apanas não é um absurdo dizer que o atleta é o segundo maior ídolo da história do Flamengo – atrás apenas, é óbvio, de Zico – como, na verdade, é algo até coerente. Arthur Antunes Coimbrama é uma divindade para a torcida da agremiação carioca e ninguém – torcedor da instituição ou não – ousa contestar a ideia de que ele é, e provavelmente continuará sendo por toda a eternidade, o símbolo máximo do clube.
Isto porque Zico é- entre outras coisas – a grande figura do primeiro período vitorioso da história do Flamengo. O lendário camisa 10 liderou uma equipe que entre o final da década de 1970 e incio da década seguinte fez o clube deixar de ser apenas popular e passar a ser também vencedor – a Era Zico resultou na conquista de diversos Campeonatos Cariocas e Brasileiros, além de uma Copa Libertadores e um Mundial de Clubes. E Gabriel é o grande símbolo de um período em que o patamar de grandeza em que a geração de Zico pôs o clube aumentou consideravelmente – de fato, existe uma Era Gabigol. Uma Era que ainda não chegou ao fim – tudo indica que o jogador seguirá por mais anos no Flamengo e continuará escrevendo sua gloriosa trajetória na história da agremiação.
